Bento XVI: Reflexão sobre o Credo


Catequese de Bento XVI sobre o Credo:

Queridos irmãos e irmãs,

Na catequese de quarta-feira passada, nos concentramos sobre as palavras iniciais do Credo: “Eu creio em Deus”. Mas a profissão de fé especifica esta afirmação: Deus é Pai onipotente, Criador do céu e da terra. Gostaria então de refletir agora convosco sobre a primeira e fundamental definição de Deus que o Credo nos apresenta: Ele é Pai.

Não é sempre fácil hoje falar de paternidade. Sobretudo no mundo ocidental, as famílias desagregadas, os compromissos de trabalho sempre mais exigentes, as preocupações e frequentemente a dificuldade de enquadrar as contas familiares, a invasão dos meios de comunicação de massa na vida cotidiana são alguns dos muitos fatores que podem impedir uma relação serena e construtiva entre pais e filhos. A comunicação muitas vezes é difícil, a confiança é menor e a relação com a figura paterna pode se tornar problemática; e problemático se torna também imaginar Deus como um pai, não tendo modelos adequados de referência. Para quem teve a experiência de um pai demasiado autoritário e inflexível, ou indiferente e pouco afetuoso, ou até mesmo ausente, não é fácil pensar com serenidade em Deus como Pai e abandonar-se a Ele com confiança.

Mas a revelação bíblica ajuda a superar estas dificuldades falando-nos de um Deus que nos mostra o que significa verdadeiramente ser “pai”; e é sobretudo o Evangelho que nos revela esta face de Deus como Pai que ama ao ponto de doar o próprio Filho para a salvação da humanidade. A referência à figura paterna ajuda também a compreender algo do amor de Deus que porém permanece infinitamente maior, mais fiel, mais total que aquele de qualquer homem. “Quem dentre vós, - diz Jesus para mostrar aos discípulos a face do Pai, - dará uma pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? E se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar coisas boas aos vossos filhos, quanto mais o vosso Pai celeste dará coisas boas aos que lhe pedirem” (Mt 7,9-11; cfr Lc 11,11-13). Deus nos é Pai porque nos abençoou e escolheu antes da criação do mundo (cfr Ef 1,3-6), nos tornou realmente seus filhos em Jesus (cfr 1 Jo 3,1). E, como Pai, Deus acompanha com amor a nossa existência, doando-nos a sua Palavra, o seu ensinamento, a sua graça, o seu Espírito.

Queridos irmãos e irmãs, peçamos ao Senhor para sustentar a nossa fé, para ajudar-nos a encontrar verdadeiramente a fé e para dar-nos a força de anunciar Cristo crucificado e ressuscitado e de testemunhá-Lo no amor a Deus e ao próximo. E Deus nos conceda acolher o dom da nossa filiação, para viver em plenitude a realidade do Credo, no abandono confiante ao amor do Pai e à sua misericordiosa onipotência que é a verdadeira onipotência e salvação.

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